É Luizinhooo, É Luizinhooo!

Quem não lembra desse canto que ecoava na Baixada na década de 90? Era uma falta na entrada da área e a certeza de gol batia em cada coração Xavante. Aliás, até hoje se ouve uma ou duas vozes gritando a cada falta: “É Luizinhooo, É Luizinhooo!”.

Luizinho Vieira com a camisa Xavante em 1997

Bem, escrevo sobre esse craque de bola pois tive o imenso prazer de encontrá-lo em Criciúma-SC nessa última terça-feira.

Tudo começou quando encontrei Luizinho Vieira em uma das redes sociais e informei a ele que eu iria à Cricúma a trabalho e gostaria de encontrá-lo para que autografasse uma camisa do Xavante de 1997 que eu tenho, ano em que ele metia bucha de tudo quanto é jeito com a camisa do Xavante. Passei meu telefone a ele. Eu achei que não daria em nada, Luizinho não iria dar importância a um doido querendo autografo em uma camisa velha. Me enganei. E muito. Luizinho me ligou e foi até o hotel onde eu estava hospedado.

Já falei isso há muitas pessoa e ratifico aqui, Luizinho Vieira foi o maior jogador que eu vi jogar com a camisa do G.E.Brasil. Digo isso pois muito pouco pude acompanhar o mito Claudio Milar. Quando Milar chegou na Baixada em 2002 eu já estava fora de Pelotas. Em campo, jogando com a camisa do Brasil, Luizinho Vieira foi meu maior ídolo.

De chegada nos cumprimentamos e na hora ele lembrou-se que certa vez eu o encontrei ele em um supermarcado em Joinville, onde eu moro e onde ele jogou em 2006. Ali eu já senti que o cara era realmente o meu ídolo.

Sentamos em uma mesa no bar do hotel e ali ficamos uma hora e meia conversando. Relembrando jogos, gols, outros jogadores, outros clubes por onde ele passou. Momentos bons, momentos ruins, momentos engraçados. Antes mesmo de encontra-lo, pensei em levar um gravador para postar o áudio aqui no Blog, porém sabia que a conversa não seria tão rica de detalhes quanto foi, por isso não gravei nada, gravei apenas em minha memória.

Não sabia como postar isso aqui, se em forma de entrevista ou o que. Então postarei algumas frases ditas por ele.

“- Me arrependo muito de não ter encerrado a minha carreira no Brasil.’
“- Um dia serei treinador do Brasil, tenho plena convicção disso”.
“- A comissão técnica desse ano no Brasil é de ótimo nível. Ex-jogadores identificados com o clube e que jogaram muita bola.”
“- O gol mais emocionante que marquei com a camisa do Brasil foi aquele na Baixada contra o Juventude, no jogo da chuva em 1997.”
“- Ainda bem que quem errou aquele penalti contra o Grêmio no Olímpico foi eu. Se fosse outro, nunca mais jogaria no Brasil.”
“- No primeiro penalti que eu bati naquela decisão, o Danrlei quase pegou. Na segunda cobrança pensei em bater no mesmo canto porém um pouco mais forte. A bola bateu na parte de dentro da trave e ao invés de entrar, saiu. Chorei feito criança.”
“- Tinha um jornalista de Pelotas, torcedor discarado do Pelotas, que vivia falando que eu só fazia gol de bola parada. Até que num Bra-Pel eu fiz um gol com bola rolando e de perna direita, além de mais um de falta. Desde então ele nunca mais olhou pra mim.”
“- Em 1997 se não tivessemos perdido pro Grêmio nos penaltis, seriamos campeões gaúchos. Estavamos jogando muito.”
“- Em 2004 o Pelotas me ligou. Eu de início já informei que não tinha como jogar lá devido meu envolvimento com o Brasil.”

Dessas frases, impossível não comentar a do gol mais emocionante. Aquele jogo com o Juventude foi o mais emocionante da minha vida. Quando aquela bola entrou, eu estava quase na tela, no meio do fedor. A alegria era tanta que os torcedores se jogavam no chão e naquela época não tinha cimento ali não, era barro puro, e eu era um dos enlameados no chão, aos prantos. Abaixo uma pequena amostra do que foi aquele jogo.

A conversa foi muito além disso. Histórias não faltaram, até algumas impublicáveis hehehehe. Luizinho reside em Criciúma pois é natural de lá. Hoje ele é treinador do Próspera, clube profissional da cidade que está na segunda divisão catarinense. Luizinho já foi treinador do Oeste-SP, onde encerrou sua carreira como jogador, e foi auxiliar técnico do Leandro Machado em outros clubes, como Esportivo e Novo Hamburgo. Ele pretende seguir carreira de treinador e como disse acima, seu sonho é um dia treinar o G.E.Brasil.

Eu só tenho a agradecer ao Luizinho por tudo o que ele fez pelo Brasil, afinal foram 110 jogos e 63 gols com a camisa Xavante entre 1995 à 1997 e 2000. Seu primeiro jogo foi em 31 de agosto de 1995 contra o Farroupilha na Baixada e seu último jogo foi dia 18 de outubro de 2000 contra o Bagé na Pedra Moura. Nesse período vimos Luizinho fazer gols de falta, de penalti, de perna direita, de cobertura, de canela. O homem jogava demais.

Agradeço mais ainda de ter tido essa oportunidade de conversar com ele depois de tanto tempo. Agradeço por relembrar tantos lances e gols e ver o brilho nos olhos dele ao relembrar de tais momentos vividos com a camisa do Brasil. Nesses momentos que se vê mais do que nunca o quanto vale a pena ser Xavante. Boleiros passam todos os anos pelo clube, mas ídolos como Luizinho são raros.

Obrigado por tudo, Luiz Henrique Vieira.

Luizinho Vieira e eu

Camisa de 1997 autografada por Luizinho









10 Comentários

    • Daniel Brahm

      25/02/2011

      E pensar que naquele jogo em que o Luizinho perdeu o pênalti, a NET e a RBS cortaram a transmissão antes do fim das cobranças das penalidades sob a desculpa que não haviam alugado o satélite por mais tempo, ou seja, nos levaram de barabada.

      Foi um grande jogo sem dúvida.

      Excelente reportagem!

    • Gregory

      26/02/2011

      Que baita reportagem , eu que não tive a oportunidade de vê-lo jogar , sei que foi um grande ídolo , e meu pai fala muito bem dele , diz que como pessoa é sensacional . Ou seja , mistura perfeita de um ídolo !
      Obrigado Luizinho e valeu Marcelo pela bela reportagem !

    • Nadison Hax

      26/02/2011

      Em nossa adolescência vislumbramos um mundo de ideais e de pessoas intangíveis! Posso dizer que nada dentro do futebol marcou mais minha juventude do que esse senhor! Ele foi sensacional! Daqueles meias que enlouquecia as defesas, rápido e driblador, a ponto de fazer fila nas diversas defesas gaúchas; contudo, era completo e lider, se necessário cadenciava o jogo e acalmava os ânimos dos companheiros; era maestro, fazia o time jogar e acertava lançamentos com rara precisão! Quando o assunto era finalização possuía um repertório de média e longa distância de por inveja nos jogadores mais renomados! E se aparecia na cara do gol: O homem era gélido! Mortal!
      Pra mim, o melhor jogador que eu vi jogar nesses 22 anos em que acompanho esse clube! As lembranças que tenho são tão sensacionais, que as vezes me pergunto se de fato são reais ou fruto da minha imaginação! Mas não! Não é imaginação! O homem de fato possuia uma simbiose com o manto rubro-negro que raramente se concretiza!
      Bons tempos Luizinho! Pra sempre nos nossos corações!

    • Rafael C. Pererira

      26/02/2011

      Eu fui neste jogo…
      emocionante de mais, bom jogo, estadio lotado, muita festa antes durante e principalmente depois do jogo…
      o tempo que o caldeirão fervia de verdade, e não importava contra quem…
      BOM CAMISA 10…
      e hoje vamos detona com o 14 de julho…

    • Diego BSB

      27/02/2011

      Bah… esse jogo foi o único que assisti das sociais do Bento Freitas e um dos únicos que lembro vários detalhes! Foi épico, foi emocionante e, pra quem não era da cidade, foi um jogo pra perceber a paixão de uma cidade pelo clube!
      Luizinho era demais, jogou muito, vi muitos gols dele!

      Sensacional matéria. Parabéns Barboza!

    • Roxo

      01/03/2011

      Sensacional o resgate desse grande craque que tivemos na Baixada. Vou torcer pra que ele um dia seja nosso treinador. Pergunta: aquela figura que entra gritando “ah, eu tô maluco” no vídeo do RBS ´por acaso não é o Esquerda – nosso roupeiro hoje?

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