Os deuses estão se divertindo

A partir de hoje o Blog Xavante passa a contar com os textos do articulista  Ivan Schuster membro e participante da Onda Xavante (Porto Alegre). As colunas terão periodicidade indefinida, no entanto sempre que o articulista tiver algo a escrever este espaço estará disponível.


Sou ateu desde sempre. Em parte pela minha personalidade, em parte pelo marketing dos pregadores. Nunca consegui entender como uma entidade tão grandiosa e poderosa como o deus que me apresentavam, capaz de criar a Vera Fischer, os dribles de Pelé, o sexo como meio de reprodução, fazia exigências tão sem sentido, na minha visão, como penitências, confessionários, rituais de adoração e veneração, e tudo mais.

Também, não sei se como causa ou decorrência, também nunca fui muito dado a acreditar em profecias, destino, sorte, azar e estas coisas. Entretanto, sou obrigado a confessar que tenho a camiseta, o tênis e o lugar certo para assistir ou ouvir as apresentações do GEB (o GEB não joga, apresenta-se). Quando, devido ao gasto pelo uso, vejo-me obrigado a substituir a camiseta ou o tênis, sofro muito. É um período que exige meditação, observação e muita cautela. Não basta substituir. Tem que ser pela peça certa. Aquela que fará a diferença. A de fé.

De onde vem esta superstição se sou descrente de tudo e de todos? Não sei. Talvez por dar mais graça e sentido a assistir 22 marmanjos correndo atrás de uma bola. Talvez o meu eu interior seja um crente inveterado. Não sei. Só sei que sem o tênis e a camiseta de jogo, e se não sentar no lugar certo na Baixada, o GEB corre sérios riscos de perder. Melhor nem assistir.

Tenho plena consciência que sou o responsável por algumas das derrotas do GEB. Sou culpado de muitas das amarguras, isto é certo, mas há algo mais. Há um certo ar de diversão, de brincadeira, de malandragem. Talvez exista mesmo um deus, ou deuses. E talvez eles não sejam tão exigentes e sisudos. Talvez, uma vez que outra, tirem um tempinho para se divertirem e tornarem a nossa vida mais cheia de surpresas e imprevisibilidades. E que outra ferramenta melhor para fazer isto que não uma partida de futebol?

O atacante está quase em cima da linha do gol, recebe a bola, e chuta por cima do travessão. O goleiro vai certo na bola fácil de defender e deixa escapar por entre as pernas. O pênalti cobrado para fora do estádio. É só pensar e teremos inúmeros exemplos de situações inacreditáveis e inexplicáveis. Brincadeira dos deuses. Só pode.

As últimas quatro apresentações do GEB é um bom exemplo. Contra o Esportivo, Aimoré e Internacional, jogamos melhor, tivemos várias oportunidades de gol e o resultado foi um empatezinho e duas derrotas. Tudo bem que contra o Esportivo eu estava como tênis errado, mas o castigo foi muito grande. Contra o Esportivo dava até para usar cueca amarela com bolinha azul. Não dava para não ganhar, imagina perder. E as outras duas apresentações, frente ao Aimoré e Inter? O que foi aquilo? O resultado foi a conquista de um mísero pontinho, quando podíamos ter feito nove. Foi pura sacanagem.

Já ontem, frente ao time da construtora, tivemos uma apresentação pífia. Um horror! Tanto coletivamente, quanto individualmente. Aliás, individualmente foi um desastre. Passes simples equivocados, faltas desnecessárias, apatia e muito mais. Ou menos. Sei lá. E ganhamos! E de dois a zero. É verdade que o time da construtora chora de ruim, mas dois a zero com uma apresentação daquelas? Não há como.

Aliás, há sim. Os deuses do futebol estão se divertindo. Só pode ser isto. Está explicado.

Ivan Schuster

 









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