É bom ser XAVANTE!

Acredito que a meta maior desta vida é sermos felizes. Tudo o que fazemos ou deixamos de fazer tem por finalidade nos dar um pouco de felicidade. Somos viciados em felicidade. Ser feliz é tão necessário e inerente a espécie humana, que o contrário deste sentimento é classificado como doença. O que muda de pessoa para pessoa é o que as tornam felizes ou os métodos para alcançar a felicidade. O torcedor de futebol nos propicia alguns exemplos.

Há aqueles que procuram torcer para clubes grandes, com chances reais de serem campeões. As vezes torcem para um clube de cada localidade. Possuem vários times ao redor do mundo. Outras vezes até trocam de clube de um ano para o outro. Escolhem sempre o de maior chance de ser campeão. Preferem a segurança. Não arriscam. Jamais viveriam dez anos a mil. Preferem a eternidade da mesmice. Uma vida confortável, mesmo que sem paixão. É como o cara que se relaciona com a mulher possível, não a desejável. São almas sem brilho. Tentam aparentar felicidade.

Outros, torcem para um clube sem expressão, mas o projetam como se fosse um dos grandes. Possuem dificuldade em enxergar a realidade. Iludem-se e frequentemente são vítimas de ilusões. Almejam o inalcançável e passam a vida divagando e produzindo teorias da conspiração para o fracasso diário. Fabricam títulos, inventam estatísticas, publicam frases de efeito, declaram fatos sem qualquer paralelo com a realidade, tentam, inclusive, alterar a sua própria história. É como o cara que é apaixonado pela mais linda prostituta do bordel e jura para todos que ela lhe dá atenção por amor. Mas a verdade crua não é segredo. Sem o seu dinheiro ela nem falaria com ele. Normalmente são frustrados e não entendem como alguém pode ser feliz em um relacionamento. São almas aflitas, dignas de pena. Frequentemente apresentam quadros de inveja, depressão e revolta. Difícil de serem felizes.

 Um terceiro grupo de torcedores sabe que provavelmente o seu clube não estará entre os grandes. Eventualmente até poderá superar-se e conquistar algo extraordinário. Mas também sabe que isto embora possa ser grandioso e que lhe trará grande felicidade, não é o que lhe cativa. A felicidade real que procura é aquela construída no transcorrer da vida, abastecendo-se aos poucos, a cada momento, dos bons momentos vividos. Os torcedores deste grupo, em lugar de passarem a vida procurando ou esperando pela grande felicidade, provavelmente sem encontrá-la, se fazem felizes no dia a dia. Não precisam explicar nada. São livres. São torcedores que se regozijam com um título, sim, mas não fazem disto a razão de sua existência. Entendem que a felicidade está, mais do que em vencer, em viver cada apresentação de seu time. A verdadeira felicidade está na relação entre ele, torcedor, e o seu time. É o cara que escolhe a mulher para completar-se. É troca e não compra. É opção e não obrigação. São almas libertas.

 Nós, torcedores do Grêmio Esportivo Brasil, valorizamos as nossas conquistas. Até porque normalmente foram frutos de muito suor, angústia e sofrimento. Temos orgulho do que construímos e conquistamos. Temos história, sabemos de onde viemos e para onde queremos ir. Não precisamos inventar nada. Somos o que somos e somos felizes.

 Mas o orgulho maior, o que realmente tem valor, o que nos traz felicidade, não está no número de estrelas. Mas é estar lá, em um dos degraus da arquibancada, não interessa qual, torcendo, vibrando e gritando “Avante com todo o Esquadrão”.

 A felicidade está no simples fato de sermos Xavantes, porque ser XAVANTE é bom.


Ivan Schuster
Onda Xavante









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