Em casa, só que não

O GEB deveria ter se apresentado em Pelotas, mas apresentou-se no Rio Grande, no Aldo Dapuzzo, frente ao São Paulo/RG, devido ao cumprimento da suspensão relativa aos infelizes acontecimentos no Bra-Pel no ano passado. Já a partida de volta, que deveria ser no estádio Aldo Dapuzzo, será no Templo Bento Mendes de Freitas, porque o São Paulo/RG também tem suspensão a cumprir. Em outras palavras, na partida de ida nos apresentamos em casa, só que fora, e na partida de volta iremos nos apresentar fora, só que em casa.

 

Falta administração, seriedade e compromisso com o negócio futebol no nosso Estado e em todo o Brasil.

 

Este é o quadro do futebol no nosso estado, que não é diferente do resto do Brasil. É um me engana que eu gosto, um tal de ajuda aqui e passa a mão ali, que não tem fim. Não tem fim, mas tem um fim, a dependência, a mendicância, o coronelismo ou qualquer outro nome que queiram dar a uma relação promíscua e danosa onde um manda, para seu proveito, e os demais obedecem, mesmo que sejam prejudicados.

 

Haverá alguém que defenderá a solução, pois ao fim a ao cabo, nos aliviará financeiramente, já que tínhamos uma renda perdida em razão da suspensão. É verdade. No curto prazo, particularmente e pontualmente, nos beneficiaremos. Entretanto, no longo prazo e em termos gerais, é muito danoso. Desmoraliza ainda mais o que já está sem moral. Afunda ainda mais o que já está submerso e afogado. O que se faz é empurrar com a barriga, um aboio. Falta administração, seriedade e compromisso com o negócio futebol no nosso Estado e em todo o Brasil.

 

Felizmente há uma esperança à frente. O grupo de jogadores denominado Bom Senso Futebol Clube conseguiu, através de pressão nos parlamentares, adiar a votação da LRFE com o intuito de promover mais discussão sobre o tema e aprimorar o projeto. É hora de um debate bem mais amplo, com uma participação maior de todos os atores e da sociedade em geral. Não basta ficar lamentando eternamente os 1×7, nem ficar falando que os alemães são legais. O que precisamos é repensar o futebol como um todo. Ver o que foi feito em outros países, o que deu certo e o que não deu, adequar à nossa realidade e implementar.

 

Não será uma operação simples. Vai doer? Vai. Mas se não fizer, morre.

 

De resto, a Torcida Xavante tem o compromisso de encher o Caldeirão nesta apresentação fora, que será em casa. O clube precisa, e muito, desta renda. É hora de nos fazermos presentes e minimizar o prejuízo destas punições, decorrentes de nosso próprio comportamento. O GEB será do tamanho que quisermos. Basta querermos e agirmos.

 


Ivan Schuster
Onda Xavante

 









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