Cada qual no seu quadrado

Passei uma noite de cachorro por causa da nossa derrota para o co-irmão. Estou com azia, mal humorado, preocupado com o nosso futuro depois desta acachapante derrota e vergonhosa desclassificação. Só que não! Dei mais atenção para o jogo do Barcelona do que para o Bra-Pel. Tomei uma deliciosa cerveja e fui dormir.

 

Esta Copa Fernandão não nos acrescentará nada. Só nos serve, mesmo, para cumprimento das penas de suspensão das apresentações no Bento Mendes de Freitas e para melhorar o entrosamento dos que não vêm se apresentando com regularidade. E não é oportunismo, pois já tinha me manifestado aqui antes quanto a isto. Pelo público presente, acho que não sou o único a pensar assim.

 

Concordo 100% com a análise e estratégia do nosso treinador, Rogério Zimmermann. Faz um bom tempo que digo que o co-irmão não é o nosso maior adversário. Não nos dias de hoje. Não dá para traçarmos o nosso futuro pensando em Bra-Pel. Sem querer ser presunçoso ou arrogante, e muito menos desmerecer alguém, digo que para crescermos teremos que obrigatoriamente atravessar o Mampituba. E para isto precisamos, primeiro, cruzar a Ponte do Retiro. Soltar as amarras desta miséria que é o futebol da nossa região.

 

Desde 2006 viemos tentando subir de divisão no Campeonato Brasileiro. Por algumas vezes batemos na trave, como na tragédia frente ao Rio Branco/AC. Este ano, estamos bem novamente. Temos um bom grupo, uma estrutura razoável, número de sócios aumentando, excelente comissão técnica e tudo mais. Estamos com boas chances. O cavalo encilhado está passando. É estupidez, burrice mesmo, querer dar valor ao que não tem, só porque existe uma rivalidade histórica. Respeito quem goste de Bra-Pel, mas eu prefiro assistir a uma apresentação do GEB na Série C, ou quem sabe B, do que a um Bra-Pel pela Copinha ou na Segundona.

 

Se eles acham o Bra-Pel importante neste momento, bom para eles. Que tirem o máximo proveito que puderem. Que cada um sigo o seu caminho, que cada um dance no seu quadrado. Para quem soltou foguetes e se emocionou com a “tríplice coroa”, é um pensamento coerente. Deu no que deu. Não dá para se dizer borrado, só porque soltou um pum. O pum é o prenúncio do fato, mas não é o fato consumado. Tem que fazer força, trabalhar, ter persistência, foco.

 

Que cada um sigo o seu caminho, que cada um dance no seu quadrado.

 

Nosso foco deve ser subir para a Série C. Se vamos conseguir, não sei, mas temos que tentar com todas as nossas forças. A chance é real e não é pequena. É por aí que passa o nosso crescimento, como equipe e como clube. Que o futebol brasileiro necessita de uma reformulação total, todos sabemos. Mas também sabemos que não dá para ter muitas esperanças com este pessoal que está aí no comando da FGF e da CBF. Temos que jogar com as regras atuais. E para podermos progredir neste jogo, precisamos de uma atuação nacional, calendário cheio, verba publicitária, enfim, pacote completo.

 

Domingo que vem teremos uma apresentação importantíssima em Santa Catarina, frente ao Guarani de Palhoça. Uma vitória lá e estaremos muito próximos da fase seguinte. Podem abrir espaço porque “A Maior e Mais Fiel”, o “Trem Pagador”, obviamente se fará presente em grande estilo. Que os deuses do futebol nos iluminem.

Abs.


Ivan Schuster
Onda Xavante

 









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