Bafo na nuca | Ivan Schuster

E lá vamos nós, para a primeira das nossas duas mais importantes apresentações de 2014. Talvez as mais importantes desde aquele fatídico 4×1 que tomamos em Rio Branco, no Acre, em 23 de novembro de 2008, pela Série C do Campeonato Brasileiro, quando perdemos a chance de subirmos para a Série B. São longos 6 anos de espera, para termos novamente a oportunidade de voltarmos a sonhar, ainda não com a Série B como naquele momento, mas com um possível caminho até lá.

Estamos todos eufóricos. Ansiosos, nervosos, mas eufóricos. A vitória de 4×0 em cima do Operário/MT nos permitiu acreditar, ainda mais, que é possível. Os resultados destes 2 últimos anos reforçam esta sensação. O ano de 2014 tem sido um ano para ficar registrado como um grande ano. Não dá para contestar isto. Será um ano perfeito se obtivermos a classificação para a Série C. Se formos campeões – por que não? – eu vou precisar de outro coração para conseguir abrigar tanta felicidade. Aliás, Torcedor Xavante deveria nascer com 2 corações. Um é pouco para abrigar tanta emoção, orgulho e felicidade.

Mas, meu caros amigos e amigas, não será melzinho na chupeta. O problema das competições esportivas é que sempre há um adversário. Sempre tem alguém do outro lado querendo o mesmo que nós. Sempre tem um chato também disposto a brigar pelo seu lugar na história. E, neste caso em especial, o nosso adversário não é fraco. Os caras vem com uma equipe cheia de figurões. Atletas experientes, com passagens por grandes clubes. O próprio clube, em um passado não muito distante, figurava entre os grandes do país. Realmente não são fracos, não. Não nos deixemos enganar. Reconhecer e respeitar as virtudes do adversário é o primeiro passo para saber como superá-las.

Vai ser uma peleia daquelas. Quem piscar, perde. Acham que estou ansioso e angustiado? Acertaram. Estou mesmo, e muito. Se futebol tivesse lógica, se fosse uma ciência exata, ainda sim, esta apresentação seria complicada. Agora, imaginem como será, sabedores que somos que no futebol tudo pode acontecer. Onde o improvável e o injusto seguidamente fazem-se presentes. Onde a lógica é não ter lógica.

Particularmente, eu não concordo com a idéia de que ter a segunda partida em casa seja vantagem. Acho que qualquer das opções tem suas vantagens e desvantagens. Devemos, isto sim, fazer a balança pender para o nosso lado. Uma vitória com mais de um gol a favor e sem sofrer nenhum, por exemplo, 2×0, colocará uma pressão enorme sobre o adversário na partida de volta. Difícil? Sim, mas não impossível. Acho até que bem possível.

E aí, quem pode fazer a diferença não estará em campo, mas nas arquibancadas. Neste domingo, dia 12, a partir das 20h, o Caldeirão tem que encher e ferver. O time Xavante tem que sentir que não está só. O time adversário tem que sentir que na Baixada o peido é seco. Que aqui ninguém morre de véspera. Eles tem que viver a experiência de confrontar a “Maior e Mais Fiel Torcida do Interior do RS” e saber do por quê nos chamarem assim. Eles tem que sentir o bafo quente no cangote, o cutuco do dedão no calcanhar.

Domingo será o dia de diferenciar os corneteiros, os torcedores de sofá, a turma da depressão, os de alma pequena, dos verdadeiros Torcedores Xavantes. É dia de separar os que torcem dos que acompanham. Não interessa a idade, posição social, altura, peso, cor ou lugar onde senta. Domingo é dia de ver a apresentação do GEB em pé, gritando, cantando e empurrando o time os 90min, sem parar. É dia de fazer história.

Não para de cantar!


Ivan Schuster
Onda Xavante

 









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