Je suis Xavante

Em todos os períodos preparatórios para um campeonato os sentimentos dos torcedores tendem a serem os mesmos. Não, não tenho nenhuma estatística e muito menos uma tese evidenciando esta afirmativa. Apenas uma observação e achismo pessoal.

 Parece-me que os mais positivos tendem sempre a achar que este ano vai dar. Vão aos treinos e jogos amistosos da pré-temporada e, por mais pernas-de-pau que tenha no time, saem com a convicção que agora vai, chegou a nossa vez. Não importa se a pré-temporada foi boa ou não. Vai dar, tem que dar.

 Tem o grupo dos mais conservadores, que não gostam muito de se comprometerem, que tecem inúmeras análises e considerações e fatalmente concluem que falta um 10 de qualidade, o time tem volante demais e falta o 9 de verdade, aquele que decide. Mas, mesmo com toda estas carências, ainda assim, acreditam que dá para fazer um bom campeonato. Se deixarem, até chegamos. Ou não.

 Por fim, o pessoal dos metais, aqueles dos instrumentos de sopro. Sim, estou falando deles, os corneteiros. Estes não tem jeito. O time pode estar com a medalha no peito e o clube com a taça no armário, que, ainda assim, vão estar reclamando de alguma coisa. Provavelmente dirão que foi sorte. É inerente da espécie. Não tem como evitar, é forte demais. Uma vez corneteiro, corneteiro sempre. A minha imagem deste pessoal é a de um sujeito que estava perto de mim na apresentação do GEB frente a Tombense/MG. O cara ficou os 90min reclamando que o Rogério Zimmermann era muito retranqueiro, que o time só tinha volantes, que o Amado era muito ruim, que o Forster não sabia cruzar e que não iríamos a lugar algum com o time jogando daquela forma. Isto depois do time conquistar o título da Segundona em 2013, o de Campeão do Interior da primeira divisão em 2014, de ser o terceiro colocado no Campeonato Gaúcho – 2014, de ter conquistado uma vaga para a Copa do Brasil em 2015, de ter uma das defesas menos vazadas e um dos ataques mais efetivos do ano, e de estar na final do Campeonato Brasileiro – Serie D. Ainda assim, o cara estava quase surtando na arquibancada de tanta indignação com “tudo o que estava errado”. Este é o corneteiro, um sofredor compulsivo.

 Independente do perfil de cada Torcedor Xavante, temos em comum as alegrias, ansiedades e sofrimentos. Não é por ser corneteiro, ou não, que um Torcedor é menos ou mais Xavante. Xavante é Xavante. Somos todos iguais. Não tem Xavante classe A ou B, e não é questão de escolha, é genético, está no DNA. É uma característica humana. Nada que dependa da vontade própria. Ou se nasce Xavante, ou não. É como ser negro, branco, alto, baixo, etc. Não se escolhe, ou se é ou não se é. E como ser Xavante é bom, quem não foi abençoado chora. Chora, faz beicinho, reclama, esperneia, grita, inventa títulos, patrocínios, viagens internacionais e até faz umas dancinhas ridículas com sobrinhas e camisinhas coloridas imitando balões. É o quadro da dor, muito triste. Dá até pena, ou não.

 Este ano tenho observado que até os mais corneteiros estão animados. Melhor dizendo, estão menos corneteiros. Tipo modo hibernação. Se é que isto é possível. O fato é que o time Xavante conquistou, e com méritos, a confiança de todos. Até a imprensa esportiva local está mais comedida. O time é organizado taticamente, tem boa qualidade técnica e parece muito consciente de que mais do que o brilho individual, o que importa mesmo é a apresentação coletiva. Um corre pelo outro. Não tem o eu e tu, mas o nós. E, como todos sabemos, futebol é um esporte basicamente coletivo. É uma verdade muito simples de ser entendida, mas normalmente difícil de ser aceita.

 Esta pré-temporada está, mais uma vez, confirmando o excelente trabalho que vem sendo realizado. Está tão boa que acho que deveríamos colocar uma estrela de “Campeão da Pré-temporada 2015” na camiseta. Como sabemos, agora é moda colocar estrela na camiseta. Tipo assim, a camiseta é minha coloco quantas estrelas quiser. Eu até já havia sugerido colocarmos uma estrela de Primeiro Campeão da Libertadores em decorrência dos resultados obtidos na nossa histórica excursões pelas Américas. É fato que não havia Copa Libertadores naquela época, mas e daí? Jogamos com vários times das Américas e é isto o que interessa. Já imaginaram o Manto Sagrado com três estrelas? Primeiro Campeão Gaúcho, Primeiro Campeão da Libertadores e Primeiro Campeão de Pré-temporada. Que luxo!

 É nóis! Je suis Xavante!

 Abs.

 


Ivan Schuster
Onda Xavante









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