Bixisse | Ivan H. Schuster

Vivemos um momento maravilhoso. Nosso clube e nosso time estão superando todas as expectativas. Não há corneteiro com fôlego para assoprar um apito sequer. Se bem que vaias foram ouvidas em nossa última apresentação na Boca do Lobo. Não entendi bem o que vaiavam. Talvez, os que vaiaram, o fizeram em decorrência de uma culpa enorme da própria condição de ser corneteiro. Uma espécie de autovaia. Como são viciados em cornetagem e sem ter o que cornetar, vaiaram a si próprios. Deve ter sido isto. A corneta da corneta. Freud deve explicar.

Se estamos bem em campo, também atravessamos um momento de muita apreensão e angústia do lado de fora. A questão da interdição do Bento Freitas é preocupante. Não apenas para o Gauchão, como também e principalmente, para o Campeonato Brasileiro 2015 – Série C. E aí, companheiro, tenho que manifestar a minha opinião, simples e sincera, em relação a negativa do ECP em nos alugar o estádio da Boca do Lobo, também conhecido como nosso salão de festas. É uma enorme bixisse.

E antes que me acusem e processem, esclareço que não há qualquer discriminação a sexualidade de quem quer que seja, aliás, o uso do termo aqui não é discriminatório em forma alguma. É apenas para identificar, classificar, uma forma de agir. Para mim, bixisse é colocar açúcar para adoçar o mate; é levar almofadinha para o estádio para sentar no fofinho; é não ir ao jogo para não perder a novela; é tomar clericot. Se bem que pedir clericot é pior do que tomar; é gritar “ui, ui, ui” quando leva um susto; é xingar o bandeirinha chamando-o de desavergonhado; ou, como no caso aqui tratado, fazer beicinho para nos alugarem o estádio porque estão sendo zombados. Que fofuxos! Só que não.

É comentado em larga escala que o clube deles atravessa uma fase muito além da ruim. Para ficar ruim, teriam que melhorar muito. É sabido que devem quatro velas para cada santo. Até o sapateiro está atrasado. Estão tendo que vender a janta para pagar o almoço ou, como diria a minha avó, estão fritando merda para comer como torresmo. Foram noticiados casos de vários jogadores que foram embora por questões salariais. E aí negam uma oportunidade de faturarem uns oitenta mil reais por mês, ou mais, porque “eles vão mexer comigo”? Isto não é só bixisse, é muita bixisse. Bixisse em larga escala. Bixisse ampla, geral e irrestrita.

Só fico imaginando a cara-de-pau do dirigente tentando explicar para os jogadores que não irão pagar os salários devidos e que vão ter que comer sopa de repolho com milho e asa de galinha, mais uma vez, porque o clube está sem recurso financeiro. É duro, hein? Será que aqueles que estão preocupados com a gozação vão colocar a mão no bolso para cobrir o que falta? Difícil, muito difícil. Bater em dirigente é fácil, quero ver é pagar a conta. Estão trocando uma receita que jamais ganharam de qualquer patrocinador, acho até que nem somando todos, para não sofrerem com gozações? Perdem a honra, mas não a pose. É companheiro, a vida é dura. Ao final da segundona saberemos a falta que estes recursos fizeram.

Mas hoje é dia de muita alegria. Pelo menos para nós, Xavantes. Terminamos a primeira fase do Gauchão/2015 com a maior pontuação entre os times, excetuando a dupla gre-nal, juntamente com o Ypiranga de Erechim. Fizemos a melhor pontuação pelo segundo ano consecutivo. Até agora, atingimos todos os nossos objetivos. Não é pouca coisa. Ao contrário, é tudibão.

Para completar este grandioso momento, como uma espécie de prêmio extra, os Polenta, comandados pelo inesquecível sr. Alex Brasil, se foram ladeira abaixo. Em 2016 chafurdarão na lama que hoje já é habitada por lobos. Que momento! Chora polenteiro! Fico só imaginando a turma da Xuxa, componentes da Solange Grená, fazendo coreografias em Sapucaia do Sul, Camaquã, Sapiranga, …Que visão maravilhosa! Uma visão do inferno, mas maravilhosa.

Obviamente o sr. Alex Brasil vai cair fora rapidinho. Pode-se até questionar o caráter dele, mas não é burro. Vai zarpar cedo. Se é que já não zarpou. E não duvidem que ainda deixe um processo de lembrança. O meu desejo é de que permanecesse por um longo tempo. Aí eu teria certeza que não voltariam tão cedo. Pois todos, clube, torcida e Alex Brasil, se merecem.

Abs.


 

Ivan H. Schuster

Onda Xavante – Porto Alegre/RS









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