Os interésses | Ivan H. Schuster

O engenheiro Leonel de Moura Brizola certamente está entre os maiores políticos e líderes que o Brasil já teve. Independentemente da posição política que tenhamos, um fato é inegável, o cara não era fraco. Sua biografia impressiona e apaixona. Entre suas qualidades, Brizola tinha uma enorme capacidade de entendimento do todo. Conseguia ter uma visão ampla sobre as questões. Há uns 50 anos ele já nos ensinava a olhar os “interésses” – assim mesmo, com o “e” aberto – para entendermos uma situação qualquer. Uma outra forma de exemplificar isto, pode ser através da histórica frase proferida no caso Watergate, em que o delator, na época batizado de Garganta Profunda, deu a dica ao repórter do jornal Washington Post, Bob Woodward, para entender todo o processo de espionagem denunciado: Siga o dinheiro (“Follow the money”). E foi assim que Richard Nixon caiu.

Em resumo, para entendermos uma situação posta, primeiramente devemos entender quem se beneficia com ela e quem se beneficiaria caso algo mude. Penso nisto a cada reportagem que leio sobre escândalos de corrupção, sonegação e até projetos de lei, estes últimos principalmente. A quem interessa, por exemplo, a rejeição da medida provisória sobre a renegociação das dívidas dos clubes de futebol, hoje calculada em mais de R$ 4 bilhões? Quem se beneficia com a situação financeira crítica dos clubes, com jogos às 22h de uma quarta-feira, com os atuais calendários das competições, com a concentração do poder nas federações e CBF, enfim, muitas questões podem ser levantadas.

Pois desde ontem à noite estou pensativo, intrigado. Fiquei impressionado com a voracidade com que os árbitros de Brasil x Lajeadense e Inter x Cruzeiro marcaram os pênaltis. Não tenho autoridade e nem provas para acusar quem quer que seja, mas não tenho como não pensar a respeito. Paranóia, teoria da conspiração? Pode ser. Mas que não está fácil de engolir, ah, isto não está.

Está muito difícil aceitar qualquer um dos três pênaltis marcados ontem. Contra o GEB foi ridículo. Nem o jogador do Lajeadense entendeu a marcação. O Martini saiu, pulou – com a perna à frente, como todo e qualquer goleiro sempre faz – pegou a bola e o jogador adversário esbarrou nele. Pênalti? Para o árbitro parece que sim, mas duvido que fosse marcado contra um dos grandes. E vamos combinar, não dá mais para o sr. Leandro Vuaden arbitrar as apresentações do GEB. Chega, né? Que vá procurar o que fazer e nos esqueça.

Já no jogo do Inter x Cruzeiro, foi um vexame. Não entendo qual a dificuldade em diferenciar bola na mão de mão na bola. E não me venham com a baboseira de “é interpretação”. Certa feita ouvi um árbitro destes explicando que a mão é a única infração que é caracterizada pela intenção. Isto é, tem que haver a clara e manifesta intenção do atleta em colocar a mão na bola. E é isto. Simples! Agora, o jogador atira-se para interceptar a bola, coloca o braço abaixo do corpo para se apoiar e proteger da queda, o adversário dá um chute forte a uma distância pequena, a bola bate no braço de apoio e o árbitro marca pênalti? Tem que estar com muita vontade de marcar. Já saiu de casa assoprando o apito. Queria que o braço estivesse onde? Vou sugerir colocarem bolsos nos calções para os jogadores atuarem com as mãos enfiadas neles. Ou, quem sabe, jogarem enfaixados, como múmias.

E aí é que lembro do saudoso Brizola. A quem interessaria o Cruzeiro na semifinal? E o Inter? Algumas questões simples podem ser levantadas para nos ajudar a entender. Por exemplo, qual o prejuízo da não realização de um gre-nal na decisão? Pior, qual o prejuízo se a final envolver dois clubes do interior? Outra questão: há interesse real em ter uma terceira força, mesmo que bem menor, no futebol Gaúcho e que seja, ainda, de fora de Porto Alegre? Muitos são os fantasmas assombram a minha cabeça.

Ah, os interésses, como diria o saudoso Governador Brizola, os interésses.

Abs.


Ivan H. Schuster

Onda Xavante – Porto Alegre/RS









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