Coração e alma | Ivan H. Schuster

Com mais de meio século nas costas, aprendi que nada acontece por acaso. Não há conquista que não tenha sido fruto de muito trabalho. Até para ganhar na Megasena tem que tirar a bunda da cadeira e ir fazer a aposta. Gosto muito da frase que diz que “a sorte é a esquina da oportunidade com a competência”. Da mesma forma foi muito boa a resposta do golfista norte americano Tiger Woods, quando questionado sobre a sorte de ter feito um “hole in one” – quando o golfista acerta o buraco em um única tacada –, “sim, quanto mais treino mais sorte tenho”.

Desculpem-me os que acham que rezando para algum santo ou alguma santa, ou mesmo diretamente a Deus, irá fazer alguma diferença na hora da cobrança do pênalti ou mesmo no resultado de uma partida. Não consigo ser convencido da efetividade disto. Primeiro, porque Deus, ou qualquer outra entidade divina, e sem entrar no mérito existencial, certamente possui muito mais o que fazer do que ficar se preocupando com uma partida de futebol. Segundo, porque do outro lado certamente há aqueles que rezam para que ocorra o inverso. A quem atender, ao cobrador ou ao goleiro? O que me leva a ficar imaginando quais seriam os fatores de julgamento e decisão para uma intervenção divina. Complicado.

Assim, dentro da minha limitação intelectual e espiritual, só vejo uma forma de seguirmos em frente, avançando nas conquistas de forma segura e crescente: trabalho, muito trabalho. Nada acontecerá se não houver a participação e engajamento de forma maciça e intensa da Maior e Mais Fiel Torcida do Interior do Estado do RS. Se hoje somos a torcida que tem um time, teremos que ser também a torcida que construiu um estádio.

O Campeonato Brasileiro 2015 – Série C começará em poucos dias e não temos ainda um local para mandar nossas apresentações. Talvez tenhamos que ir longe de casa. Isto significa mais desgaste físico, custo adicional e restrição de receita. Como superar estas adversidades? Com a participação e sustentação daqueles que são a razão do clube existir, os sócios. Não adianta ficar noites sem dormir, rezar, fazer promessa, proclamar-se o mais Xavante de todos. Tem que ser sócio e pagar a mensalidade em dia. Nada é mais importante e mais efetivo do que termos um quadro social forte e participativo. Mas …, dirão alguns. Não tem mas, respondo. É isto ou voltaremos a chafurdar na lama, junto àqueles que não ouso declinar os nomes.

Há quem imagine estar tendo prejuízo por pagar a mensalidade e não ter apresentação para assistir. Pois eu acho o contrário. Na verdade, vejo-nos como privilegiados. Privilegiados por estarmos vivendo este momento que deverá ser um marco histórico. O tempo em que uma torcida fez a diferença sem ir ao estádio apoiar o seu time. No futuro, contarão que em 2015 a Torcida Xavante se mobilizou e não apenas garantiu recursos financeiros para manter um grupo competitivo de atletas, como ainda construiu um estádio. A hora de cada um de nós, Xavantes, colocar o nome nesta história é agora.

A empreitada não é fácil. Acredito que teremos que ser muito criativos e tentar ações amplas e arrojadas. Sair fora da casinha, expandir os horizontes, olhar para além da Ponte do Retiro. Torcedores Xavantes, somos alguns milhares; pelotenses, algumas centenas de milhares; brasileiros, somos duas centenas de milhões; e, em todo o planeta, somos vários bilhões de habitantes. O que isto significa? Que quanto mais amplo olharmos, maior será a base e menos de cada um necessitaremos. Nada demonstrou isto melhor do que a internet. O caminho é por aí.

Eu acredito muito no potencial da marca Torcedor Xavante. Aposto que se for feita uma pesquisa entre os Gaúchos para dizerem os dois clubes que mais simpatizam, seremos o mais votado. Ganharemos com grande margem. E a razão é simples, a esmagadora maioria dos torcedores da dupla gre-nal tem no GEB o seu clube do interior preferido. Não é achismo, é fato. Quem mora em Porto Alegre sabe. Vivenciamos isto no dia-a-dia. Como também é fato, termos tido recentemente, quando das apresentações frente ao Flamengo pela Copa do Brasil 2015, uma divulgação enorme sobre a nossa história e luta. Fomos caracterizados com um dos últimos clubes de futebol do Brasil que ainda cultiva o tradicional modo de fazer futebol e torcer. A torcida que tem um time. Temos que tirar proveito disto. Criar algo novo, ambicioso e amplo é preciso.

Encerro com uma frase que me passaram esta semana: “Nós, Torcedores Xavantes, não torcemos com o coração, porque este um dia parará. Nós torcemos com a alma, pois esta é eterna”.

Abs.


Ivan H. Schuster

Onda Xavante – Porto Alegre/RS









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