Futebol, imbecilidade e poder | Ivan H. Schuster

Fui a Caxias do Sul e voltei de alma lavada. A apresentação Xavante – o Xavante não joga, apresenta-se – foi épica. Fomos muito superiores. No campo e nas arquibancadas. O placar não mostra o que foi a apresentação. O Esquadrão do RZ sobrou. Os polentas acharam dois golos. Devem estar até aliviados por terem perdido de pouco. Era para ter sido 0x4, no máximo um 1×4. Leandro Leite e Washington formam uma dupla de volantes que dificilmente se vê em outro time brasileiro. Muita qualidade. Leandrão é cruel. Amadinho infernal.

As apresentações Xavantes têm sido de encher os olhos. É um time coeso, equilibrado, consciente e maduro, muito maduro. Não é por outra razão que somos o único time invicto das três séries principais do Campeonato Brasileiro 2015. O que não significa nada além disso mesmo, uma invencibilidade momentânea. Já vi time “campeão de tudo” que não perdia até que perdeu para o São Gabriel e ficou fora. Que não caiamos nesta armadilha. Mas que é um sentimento gostoso, isto é.

Lamentáveis, novamente, foram os acontecimentos antes da apresentação Xavante. Muitos Torcedores Xavantes, inclusive mulheres e crianças, foram hostilizados e agredidos de forma covarde na chegada ao Estádio Jaconi. Os agressores imbecis – que além de imbecis são burros – ainda colocaram na internet as imagens das agressões, vangloriando-se do que faziam. A estupidez humana não tem limites. Junta-se estupidez com falta de time para torcer, por incapacidade de fazer algo bom e bonito, e tem-se o que se viu, imbecis achando-se geniais por jogarem pedras e agredirem pessoas que estavam ali para se divertir.

Sinceramente, não sei o que têm na cabeça. Melhor, sei sim, nada. Zero! É muita babaquice. Melhor fariam se se dedicassem a fazer o que se espera de uma torcida, torcerem, promoverem um espetáculo de festa e apoio nas arquibancadas. Ao invés disto, apresentam-se de forma ridícula, com batida monotônica, chata, tentando imitar aqueles que já imitam outros. Patéticos! Um bando de piás mal saídos dos cueiros, pulando com sombrinhas e cantando em espanhol. Meu conselho: vão estudar. Se não tiverem capacidade para tal, ao menos, assistam a Torcida Xavante e vejam se conseguem aprender algo. Pelo menos, a chamada da Garra Xavante já estão tentando fazer, mas ainda muito ruim. Ser Xavante não é para qualquer um. Tem que olhar, para aprender …

Lamentável também a fala do subcomandante da BM tentando minimizar os acontecidos. Ocorrência normal, disse ele. Não, subcomandante, não é normal e não foi pouca coisa. Talvez o senhor pensasse diferente se lá estivesse com sua família. No dos outros é refresco. Entendo e apoio o corpo mole feito pela BM em razão do parcelamento dos salários, mas não tente disfarçar o ocorrido e muito menos a relação dos fatos com a falta de policiamento. Assim como o senhor, muitos dos ali presentes também eram funcionários públicos do Estado e outros, assim como eu, embora não funcionários públicos, cidadãos que merecem respeito e que pagam pelos serviços da BM. Se o Governador está lhes dando um calote, acerte com ele e não jogue nas costas da população mais este ônus.

Somos todos sabedores que o que aconteceu era o previsto. Não é de hoje que a torcida do Juventude faz o que faz de forma impune. A tal ponto que, agora, publicam os seus “feitos” com filmes e fotos para que todos vejam de forma clara, tal a segurança da impunidade. Zombam da justiça de forma geral e da própria BM de forma particular.

Por fim, não poderia deixar de comentar o posicionamento contrário, nada surpreendente, do presidente da FGF, Francisco Noveletto, a respeito da Copa Sul-Minas. Contrário se feita por uma liga dos clubes, mas se for feita pelas federações ou CBF, aí é a favor. Como se as competições atuais, promovidas pelas federações e CBF, fossem algo a serem admiradas. A questão é que não querem largar o osso, não querem soltar a teta.

É fato que os campeonatos estaduais, da forma como são disputados, são medíocres. Mudar é preciso. E para mudar, na minha modestíssima opinião, faz-se necessário mudar a forma como tudo é feito, a começar pelo relacionamento dos clubes com as federações e CBF. Em pleno século XXI não dá para aceitar que uma federação funfeca de futebol, como a FGF, acomode-se em um prédio nababesco, enquanto seus filiados penam financeiramente.

Abs.









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