O tempo e o vento | Ivan H. Schuster

Em um passado recente, a cidade de Pelotas, e toda a Região Sul do Estado, não existia no cenário futebolístico nacional. As notícias relevantes mais amplas já datavam de 30 anos ou mais. Uma pessoa com menos de 40/45 anos, de um estado do centro-oeste ou nordeste do Brasil, por exemplo, para ter escutado alguma coisa a respeito dos clubes pelotenses, certamente deveria ser um aficcionado pelo esporte, daqueles que acompanham tudo de todos. Fora isto, só se o seu time estivesse participando das séries D ou C do campeonato brasileiro e, coincidentemente, tivesse jogado frente ao GEB. Sei bem disto, porque já morei fora, viajei bastante e sei por experiência própria.

A bem da verdade, mesmo dentro do RS o nosso futebol vivia de passado. Éramos a lembrança dos mais velhos de um tempo que parecia não voltar mais. Um tempo em que a dupla gre-nal, quando tinha que vir jogar em Pelotas, já vinha com o discurso do “empate é bom resultado”. E era mesmo. Jogar no “estádio mais humano do mundo”(prof. Ruy Carlos Ostermann), não era tarefa fácil. Saudosa maloca.

Felizmente, este quadro está mudando. E graças ao nosso Grêmio Esportivo Brasil. No RS nosso nome já se destaca entre os demais clubes. Excetuando-se a dupla gre-nal, que estão em outro patamar financeiro, faz dois anos que não tem para ninguém. É nóis na fita, mano! As muitas vitórias frente aos polenteiros e, inclusive, ao Portoalegrense, em plena Arena da OAS, confirmam este nosso bom momento. Já o acesso, de forma incontestável, da Série D para a Série C do Campeonato Brasileiro – que por pouco não veio acompanhado de um título nacional – com a permanência de praticamente todo o plantel e comissão técnica, mostrou que não estávamos para brincadeiras. E não estamos.

Mas, sabemos bem que não existe almoço grátis. Por conta das nossas boas campanhas e, principalmente, pelo bom futebol apresentado, começamos chamar a atenção. De repente estamos na mídia, nosso nome aparece, nossos feitos são vistos e comentados em todo o território nacional. Quem é este GEB que lidera o Campeonato Brasileiro / 2015 – Série C, que tem o mesmo treinador há mais de 3 anos, que normalmente tem o goleador e a defesa menos vazada dos campeonatos de que participa, que tem uma torcida fiel, que está sempre presente, mesmo sem estádio, que não tem dono e não depende de “empresários”? É possível, Arnaldo?

E assim, nos descobriram. Descobriram os nossos guerreiros, o nosso comandante, os nossos diretores, os nossos patrocinadores e até mesmo – vejam só como a vida é – os nossos adversários ganharam algum destaque. Nossa história começa a ser contada novamente. Começamos novamente a aparecer, a existir. Ou, como gostamos muito de dizer, conseguimos atravessar a Ponte do Retiro. Nosso território de lutas tornou-se maior e as nossas lutas mais sangrentas.

É fato que não gostei da saída do Amadinho, como não gostaria da saída de qualquer outro dos nossos atletas ou membro da comissão técnica. O time tem conjunto, está coeso e equilibrado. Qualquer perda pode comprometer todo este equilíbrio. Mas, faz parte. Faz parte da vida de qualquer clube grande. Os clubes brasileiros da Série A frequentemente perdem seus melhores valores para os clubes da Europa durante a janela de transferência, que ocorre bem no meio da maior competição nacional.

Temos que nos prepararmos e nos acostumarmos a estas situações. Muitas mais irão acontecer. Estamos em fase de crescimento e teremos muitos desafios a enfrentar. Não vejo como ruim. Prefiro enfrentar os desafios, ser protagonista, a ser como poeira levada pelo vento. Não é à toa que nos chamam de Xavantes, uma tribo de guerreiros vencedores. Povo que não se entrega, luta.

Crescer tem o seu preço e, sinceramente, prefiro pagá-lo a ser um medíocre eternamente.

Abs.









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