Verde limão | Ivan H. Schuster

Tragédia! Que baita buléu tomamos ontem. Pretiô os óio da gatiada.

Minha culpa. Minha máxima culpa. Sim, companheiras e companheiros, sou o culpado e, humildemente, peço-lhes perdão. Se não sou o único culpado, provavelmente sou o maior deles. Vou contar-lhes o ocorrido.

Eis que minha amada esposa compra-me um lote de cuecas novas e substitui todas as até então existentes. Isto mesmo, adivinharam. Colocou fora a minha cueca de ir às apresentações Xavantes. De lá para cá não vencemos mais uma única partida. Como eu ia saber, perguntou-me ela com um ar entre surpresa e arrependida. Ora, respondi eu, qual outro motivo eu teria para usar uma cueca samba canção verde limão? Era óbvio, evidente, cristalino, que aquela tratava-se de uma cueca da sorte. Era olhar para saber. De lá para cá, não vencemos mais. Ela prometeu-me comprar outra igual. Sei não, amuletos não são facilmente substituídos. Até pensei em um divórcio por justa causa. Mas, é a vida. Na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, com ou sem cueca, …

A meu ver, assistimos ontem a um bom jogo de futebol. Uma partida movimentada, franca, com ambas equipes procurando o melhor resultado. Futebol em nível de uma competição nacional. Perdemos. Não poderíamos ter perdido, sequer empatado. Mas perdemos. Se jogássemos a copinha, talvez tivéssemos mais facilidade. Prefiro não saber.

Foram dois tempos distintos. No primeiro, o GEB mostrou um bom futebol, tocando bola, invertendo jogadas e dominando por completo as ações. Gostei muito do ataque formado com Felipe Garcia, Nena e Cleverson. Aliás, enquanto teve pernas, o Cleverson apresentou-se muito bem. Tomamos um gol besta. Daqueles que não dá para acreditar. Na verdade, nem vi a bola entrar. Achei que o Martini estava com ela, quando notei os jogadores do bugre comemorando algo. Suspense, aflição e decepção.

No segundo tempo, embalado por um lindo gol logo no início, o GEB foi bem até aos 20 minutos, mais ou menos. Aí, parece-me, o time cansou. Principalmente os jogadores de meio campo. Subiam e ficavam sem pernas para voltar. Não lembro de outra apresentação nossa em que isto tenha acontecido. Mas foram muitas as vezes que o time paulista puxou contra-ataques levando perigo. No fim, morremos gordinhos, levando mais um gol, digamos, do tipo sei lá como entrou. Me caíram os butiás do bolso. Choque! Com as minhas cuecas verde limão certamente isto não teria acontecido.

Mas se o resultado me desagradou, e muito, mais ainda a atitude da torcida, vaiando o Martini. Memória curta, ingratidão ou apenas falta de costume com derrota? Sim, porque este mesmo time vem alcançando todos, eu disse, todos, os objetivos propostos há três anos. Será esta uma equipe fracassada? Serão estes atletas merecedores de vaias? Certo que não. Vaias merecem estes Torcedores de pouca fé, que se acham “lúcidos”, mas na verdade são uns desesperados que se entregam ao primeiro sinal de adversidade. Provavelmente tentam transferir para os jogadores suas frustrações pessoais. Freud deve explicar.

A todos que já se deram por vencidos, provavelmente aqueles mesmos que no início diziam que se não caíssemos já estava de bom tamanho, digo-lhes: só termina quando acaba, quem morre na véspera é o peru. Se ganharmos do Tupi, no próximo final de semana, passamos para a outra fase. Ainda dependemos apenas de nossas forças. Difícil? Pode ser, mas longe de ser impossível. O Tupi é aquele mesmo que amassamos no Bento Freitas e que escapou devido a uma grande atuação de seu goleiro.

Não vi nenhum time melhor que o nosso neste campeonato. Frente aos cinco clubes que ainda disputam conosco uma vaga para a próxima fase, enfrentamos todos de igual para igual e até com superioridade. Frente ao Tupi, fizemos uma apresentação muito superior. Com o Londrina, fomos melhores em casa e equivalentes fora. Nos dois enfrentamentos com o Juventude, demos dois bailes. Frente a Portuguesa, trituramos eles em São Paulo, apesar do empate, e goleamos em casa. E frente ao Guarani, foram duas apresentações parelhas. Isto sem falar que estamos na zona de classificação desde o início.

Eu acredito, melhor, eu confio. Sou Xavante!

Abs.









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