Vivi para ver | Ivan H. Schuster

Minhas companheiras e meus companheiros de arquibancada, vou dizer-lhes, não foi fácil. Foi sofrido, angustiante, sufocante, mas foi maravilhoso. Não foi uma apresentação de gala, superior. Foi a apresentação do possível, meticulosamente preparada e ensaiada. Sofremos, mas subimos! Chorem polenteiros. Subimos para a Série B, vocês ficaram. Chorem mais um pouco. Mais ainda. Um pouco mais. Isto, sofram bastante. Liguem para os seus amigos lobinhos e chorem juntos.

Gastei um bom tempo pensando sobre o que escrever. Fiquei imaginando que este deveria ser um texto especial. Deveria estar, obrigatoriamente, a altura do feito conquistado pelo Xavante. Pensei em falar da batalhada dos 300 guerreiros de Esparta frente ao exército de Xerxes, uma alusão aos bravos Torcedores Xavantes que estavam no Castelão representando toda a Nação Xavante. Pensei em falar sobre as apresentações memoráveis do GEB como o Bra-Pel dos 5×3, quando ganhamos a identificação de Xavantes; a vitória em cima da seleção Uruguaia, que, poucas semanas depois, viria a ser campeã mundial em 1950; a ida a Estrela; os 2×0 no Flamengo de Zico & Cia; o Bra-Pel dos 9×11; o Brasil x Grêmio do “Eu estou dopado”; enfim, apresentações que, presenciadas ou não, estão registrada na História, na alma, de cada Xavante. Pensei, também, em falar dos nossos sofrimentos, da nossa sina de enfrentar a tudo e a todos, de nada ser fácil, do acidente, da reconstrução. Pensei, pensei, pensei. Cheguei a conclusão que não saberia o que dizer. Melhor, não tem nada a ser dito. Este é o nosso momento. Não é para ser descrito, é para ser sentido.

Estou feliz, estou em êxtase. Sinto-me o rei da montanha, o craque do time, o bonitão do baile, o nota 10 da aula. Sou o cara! Amigos, vizinhos, conhecidos, pessoas que nem sei quem são, telefonam-me, cumprimentam-me, param-me no supermercado, mostram-se entusiasmados e alegres com a nossa conquista. Definitivamente somos o clube com o maior número de Torcedores, admiradores e simpatizantes do Estado. Nunca um time do Rio Grande do Sul reuniu tantos adeptos. É bom ser Xavante! Que chorem os desconhecidos e insignificantes. Façam por merecer. Tua inveja só aumenta a nossa glória. Pausa para chorarem mais um pouco.

Não, não acabarei este texto sem cobrar dos corneteiros que peçam desculpas em público ao RZ e aos nossos bravos Guerreiros. Sugiro que na próxima apresentação Xavante, no Bento Freitas, frente ao Vila Nova, levantem-se e gritem a plenos pulmões um pedido de desculpas, iniciando com “Desculpem-me, sou corneteiro!”. A partir disto peçam desculpas para o RZ, Martini, Cirilo, Nena, Cleiton e todos os outros que apresentação após apresentação cornetaram com convicção e teorias futebolísticas imbatíveis. Imbatíveis e falsas. Pobres mesmo. Pura corneta. Este é o momento de vocês se manifestarem corneteiros. Arrependei-vos, pois! Chora corneteiro!

Que momento! Estou feliz, aliviado, relaxado. Foi-se a uruca, não tem mais aflição e angústia. Agora é só alegria. Somos a terceira força futebolística do Estado. E conquistamos isto pelos nossos próprios méritos, pelas nossas próprias forças. Não arrendamos o departamento de futebol e muito menos o clube. Somos 100% paixão. Somos a Torcida que tem um time. Somos 100% Xavantes!

Por fim, quero deixar registrado aqui para que, algum dia, daqui a dezenas, centenas de anos, alguém leia e saiba que no dia 17 de outubro de 2015 o Grêmio Esportivo Brasil, empurrado pela Torcida Xavante, alcançou um feito notável, desejado há muito tempo, e eu presenciei, vivi, senti e chorei. Estamos entre os 40 melhores times do Brasil.

É bom ser Xavante!

Abs.









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