O cachorro e a roda | Ivan H. Schuster

Que marasmo! Esta época do ano é sofrível para nós, pobres e mortais Torcedores. Cheguei ao desespero de assistir a uma partida da seleção. Felizmente, fruto de muito trabalho, ano que vem teremos um calendário cheio até o final do ano. Que perdure. Chega de entrar em férias em agosto, setembro ou mesmo no início de novembro. Não somos time do Poder Judiciário para gozarmos quatro meses de férias ao ano. Clube de futebol tem que ter time jogando sempre.

Se neste momento não temos futebol, não faltam picuinhas, fofocas e intrigas extra campo. Como dizia a minha avó, “mente vazia, oficina do Diabo”. Mas se existem problemas, também existem soluções. E se solução não existir, solucionado está.

Clube de futebol é um ambiente político e, como tal, é formado por pessoas que possuem interesses e idéias diferentes e mesmos adversas. Felizmente não pensamos todos da mesma forma, não temos as mesmas prioridades, não entendemos os problemas da mesma maneira e muito menos vislumbramos as mesmas soluções para eles. Esta diversidade causa discussão, e da discussão nasce o entendimento e as melhores soluções. O importante é que a discussão se dê sobre os problemas, suas causas, efeitos e soluções possíveis, e não sobre as pessoas. Discutir não é brigar.

Os líderes – e normalmente existem vários reivindicando esta posição, mesmo sem que sejam assim reconhecidos – de uma entidade como um clube de futebol não podem prescindir de qualquer ajuda oferecida. Ainda mais, um clube pequeno e em um momento importante como o que o GEB está vivendo. Até porque, o clube não é responsabilidade de um, mas de todos os seus associados.

Se de um lado for firmada uma posição de “aceito ajuda se fizer o que mando”, e do outro for firmada uma posição de “ajudo se for do meu jeito”, certamente não haverá entendimento e todos perderemos. Há que se ter humildade para entender e aceitar que por mais capazes e bem intencionados que sejamos, ou por mais sucesso que tenhamos tido até aqui, muito provavelmente não teremos todas as respostas e nem conseguiremos realizar tudo, sempre. Até Pelé errou pênalti.

E aí é que entra a política. Discussão, negociação e o consequente entendimento. Política trata-se disto, achar uma solução que seja entendida pelas partes envolvidas como a melhor entre todas. É sabido que o pior acordo é melhor que a melhor das lutas. A guerra surge quando a política fracassa. Entenda-se aqui por guerra, qualquer ação interposta de forma autoritária, pela força e sem o entendimento entre as partes.

O sucesso obtido nestes últimos anos trouxe-nos, traz e trará novos e maiores desafios. Planejar é preciso, negociar é a forma. O tempo corre e não existe fórmula mágica. Nós teremos que traçar nosso próprio caminho, dentro dos nossos limites, com base na nossa história, valores e crenças. Discutir, chegar a um consenso das linhas mestras, da rota a ser seguida, é necessário. Não acredito em administração sem planejamento, sem histórico, sem metas, sem limites, princípios e valores. Este planejamento não vem da cabeça de um ou dois, e nem é algo copiado, mas é fruto do diálogo e entendimento de todos os participantes e deve ser publicado de forma clara e direta, para que possa ser acompanhado e monitorado por todos. Transparência é a palavra. Quem não sabe o por quê, não entende o como e não vê o resultado, produz menos, com baixa qualidade e sem interesse.

Não acredito que seguiremos avançando, e nem mesmo que consigamos solidificar nossa presença neste novo espaço recém conquistado, sem que tenhamos um planejamento mínimo, fruto do entendimento entre todos, e sem que haja um efetivo acompanhamento de sua execução. Não podemos agir como o cachorro que corre atrás da roda do carro e que, ao alcançá-lo, não sabe o que fazer.

Abs.









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