Bate bola | Ivan H. Schuster

Finalmente a bola irá rolar. Está certo que é um torneio de pré-temporada, digamos, sem muita relevância. Mas, mesmo assim, teremos bola rolando esta semana. Expectativas? Não muitas. O mais importante é colocar o time em campo, tirar o cheiro de mofo do fardamento, colocar um pouco de motivação nos treinamentos. Aleluia! O show não pode parar.

Achei excelente a idéia do Veranópolis em promover esta competição, bem como o modelo proposto. Que sirva de exemplo aos demais clubes. No passado havia um torneio citadino em Pelotas, o qual geralmente servia para manter os clubes da cidade em atividade nestas intertemporadas, mas depois de 2004 um dos clubes desistiu deste tipo de torneio. Há quem diga que será necessário atravessarmos um período de muitas gerações até que novamente se tenha um torneio deste tipo. Esquecer é preciso. A dor da vergonha é enorme, perdura, machuca, corrói.

Impressiona-me a discussão sobre quem atuará no time Xavante, Diego Oliveira ou Marcos Paraná? Guardadas as devidas proporções, até porque o GEB não é o Barcelona e nem disputamos a Champions League, ainda, era a mesma discussão infértil e burra sobre a inviabilidade de Neymar ao lado de Messi. Meu povo, O RZ está rouco de tanto dizer, e de provar, que no time Xavante não existe posição fixa, o que existe é função a ser executada dentro de uma proposta tática. Como são dois atletas com bom nível técnico e inteligentes, se desempenharem o esperado, atuarão os dois. Não há porque se ter uma opção excludente definida com antecedência. Simples assim.

Acho um pensamento muito limitado e incompatível com as necessidades do futebol moderno, ficar definindo definitivamente como cada atleta atua. Como se fossem incapazes de entenderem uma nova necessidade, alterando o seu comportamento de acordo com a necessidade tática. O mesmo para o esquema tático do time. Como se os treinadores fossem incapazes de adaptar ou desenvolver novos esquemas táticos e jogadas adequadas ao elenco disponível, bem como desenvolver e aprimorar, novas habilidades a este elenco.

O futebol mudou. Ao meu ver, evoluiu. O que falta mudar, evoluir, é a crítica, a análise e o debate. A grande maioria das discussões ainda são feitas da mesma forma como há 20, 30, 40 anos. Os dias atuais demandam uma análise mais objetiva e factual, com base em estatísticas e números. Ao mesmo tempo é necessário ter uma visão mais ampla, de médio e longo prazos. O RZ tem provocado inúmeras situações de desconforto para muitos comentaristas locais, justamente porque ainda não entenderam que, eles sim, ficaram presos a uma mesma forma de ver, entender e discutir o futebol.

A internet mudou, e muito, a repercussão do que é dito. Antigamente o comentarista falava e pronto, estava encerrada a questão. Ficava aquilo como definitivo. Mesmo que se discordasse, não havia como discutir, a não ser em pequenos grupos. Hoje é diferente. O cara fala e imediatamente inicia-se um debate paralelo em toda a comunidade, através das redes sociais e blogs. Uma opinião dada é ampliada, para o bem e para o mal. Bateu, levou. Quem não entender este novo tempo, está fadado a ficar tão útil quanto uma máquina de escrever.

E o estádio, onde nos apresentaremos? Acho que estamos no caminho certo. Mais uma vez, a diretoria do GEB provou estar atenta e que não age por impulsos. Mais do que o blá-blá-blá corriqueiro, do queremos isto ou aquilo, exigimos sei lá o quê, se não for assim não nos interessa e toda aquela arrogância e defecação oral, o que interessa mesmo, o que está em discussão, é se financeiramente é viável. Ponto. O clube está em um momento delicado, de transição, de construção de uma base que imagina-se nos dará sustentação, ao menos, de nos manter onde hoje estamos. E não falo apenas da construção do novo Bento Freitas, mas de todo um novo clube. Ficar discutindo quem tem o tico maior nos levará a lugar algum.. O importante é sermos racionais, fazermos contas, não comprometermos o que foi conquistado com muito suor. Avante!

O Xavante será do tamanho que quisermos.

Abs.









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