A rifa – Ivan H. Schuster

Vender patrimônio nunca é bom, mas há vezes que não existe outra saída possível. O caso do nosso estádio, por exemplo, é uma destas situações. Foi-se o tempo que se construía um estádio só com doações dos torcedores. A conta agora é mais salgada e o mar não está para peixe, que dirá para índio.

Acompanho diariamente pelo site ( http://www.novobentofreitas.com.br ) a construção da arquibancada inferior norte. Abre parêntesis: Parabéns aos responsáveis por colocar este site no ar. Serviço de alta qualidade e um alento para os que, assim como eu, moram longe. Fecha parêntesis. A obra vai em ritmo acelerado. É fácil perceber o progresso diário. Não há dia que não se note algo novo. Já o saldo da conta para receber as participações vão em um ritmo muito lento. Decepcionante. Se dependêssemos das doações para erguer o estádio, nem os tapumes teriam sido colocados.

Apesar de toda a situação atual no país, com crise na economia e golpe na política, que tem gerado insegurança e desespero, acredito que as contribuições poderiam ser mais generosas, em um ritmo de crescimento mais acelerado. Não, não acho que seja por má vontade ou indiferença dos torcedores com relação aos enormes desafios que estamos tendo e teremos nos próximos anos. Estamos todos sabendo que não será melzinho na chupeta e que nossa participação é fundamental.

Não entendam que o que exponho seja uma crítica pessoal e muito menos falta de reconhecimento aos que estão na luta diária pela defesa da causa Xavante. Quem já me acompanha há algum tempo sabe que sou fã de carteirinha do pessoal da Associação Cresce, Xavante! e um defensor ferrenho dos diretores do GEB, sejam eles quem forem. Digo isto, porque entendo que, além de ser muito Xavante, tem que ter muita vontade e perseverança para se dedicar diariamente ao crescimento do GEB. São poucos. Os corneteiros são em maior número, bem maior.

O que eu acho, é que tem muita vontade, dedicação, suor e pouco planejamento, organização e idéias, quando o assunto é marketing. Em resumo, muita transpiração e pouca inspiração. Marketing não é a minha área de atuação, embora tenha alguma base teórica e prática sobre o assunto, mas, desde que me conheço por gente, o GEB empreende 3 ações que proporcionam arrecadação financeira a partir dos Torcedores: 1) Plano de sócios. Todo ano tem um novo, que propõe ser diferente, mas é igual aos demais. Muda-se os nomes das categorias, mexe-se nos valores e confecciona-se novas carteirinhas. Se tem muitas categorias, faz-se um enxugamento. Se tem poucas, aumenta-se; 2) Passar a sacolinha. Criam-se listas, grupos de Torcedores e de indivíduos dispostos a doarem algum valor, além da mensalidade. Assim, no seco. Sem nada em troca. Nem recibo. As vezes nem o “muito obrigado”. Normalmente, nestes casos, há um fim definido e valor estipulado a ser arrecadado; 3) A rifa. Esta é infalível. Surgiu a necessidade de arrecadar, lá está ela. Já rifamos de tudo. De carrinho de pipoca, boi vivo, boi morto, até automóveis e um caminhão de prêmios(fala baixo). Vou desabafar, não aguento mais rifas. Obviamente, continuarei comprando e tentando ajudar a vender, não é este o caso. A questão é que precisamos ser mais imaginativos, criativos, buscar outras soluções, sair fora da casinha. Precisamos ter uma visão ampla, que contemple as nossas necessidades e desejos, atuais e futuros, e a partir desta visão definirmos as ações possíveis. Em uma palavra: planejamento.

Mais, precisamos pensar formas de arrecadação que nos permitam atingir um público fora de Pelotas, até dos que ainda não se descobriram Xavantes. Temos que ampliar o nosso público-alvo. Por mais que sejamos a Maior e Mais Fiel Torcida do Interior do RS, não temos contingente suficiente para dar suporte a arrecadação dos valores necessários para bancar o investimento para crescermos e nos mantermos grandes. Diz uma máxima, que se fizermos algo sempre da mesma forma, obteremos os mesmos resultados. No nosso caso, merreca.

Não tenho a pretensão de ensinar ninguém a fazer nada, muito menos de ficar cobrando que façam algo que não me proponho a fazer. Dançar é fácil, difícil é carregar o piano para ter música. Minha intenção é tão somente chamar a atenção e instigar o pensamento. Talvez um bom início seja procurar por novas idéias, ouvir pessoas de fora, buscar casos de sucesso, enfim, listar várias possibilidades e identificar aquelas que serão factíveis de serem implementadas. Não necessariamente uma única idéia vencedora. Por vezes, várias ações pequenas dão mais resultado que uma única ação gigantesca, desde que planejadas e gerenciadas de forma adequada. Pode até ter rifa, só não pode ser a única opção.

Abs.









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