Papagaio de pirata | Ivan H. Schuster

Querem saber a verdade? Já estou me achando a última bolachinha do pacote. Manja o cara que nunca fez um exercício, que no futebol jogava no gol para não ter que correr, faz duas aulas na academia e já começa a se olhar no espelho e a se enxergar o mister músculos? Pois é, estou assim em relação ao Xavante. Já estou começando a pensar no final da competição. Nós lá, firme na paçoca, disputando a classificação. Sonhar não custa nada e não machuca ninguém, desde tenhamos a consciência de que trata-se, por enquanto, de um sonho. Ainda há muito o que malhar.

Certa feita li que para um sonho ser alcançado é necessário, antes, sonhar. Não há jornada, por mais longa e difícil que se seja, que não comece com o primeiro passo. E lá vamos nós, caminhando em busca da concretização de mais um sonho. Nunca foi fácil, e não o será agora. Avante, pois.

Gostei da apresentação Xavante. O time foi compacto, coeso, buscando alternativas de furar o bloqueio adversário, o qual, diga-se a bem da verdade, valorizou a nossa vitória. Não são fracos, não. O time do Paysandu mostrou ser muito bem treinado, bom toque de bola e movimentação, apresentando forte marcação, muita agilidade e precisão nos contra-ataques. E vieram desfalcados de vários atletas. Isto nos permite, pelo menos, duas conclusões: que o nível da competição é bom e que obtivemos um importante resultado, além da obrigação de fazer os três pontos em casa. Poderíamos ter ganho de mais, talvez de dois ou até três, mas também poderia ter sido um frustrante zero a zero.

Assisti a apresentação pela TV. Com a distância e datas em meio de semana, fica complicado ir ao Caldeirão. Mas não reclamo. Houve época, que só podia acompanhar o resultado pelo plantão de alguma emissora local de Porto Alegre. Depois, vieram as transmissões de rádio pela internet, o que de certa forma aliviou, mas não muito, dada a baixa qualidade das transmissões. Hoje, temos todas as apresentações transmitidas com imagens ao vivo pela TV e internet. Luxo. Bom para nós, Torcedores apátridas sofredores de banzo e excelente para os nossos patrocinadores.

Este negócio de transmissão pela TV é tão importante, que tem gente que faz qualquer coisa para aparecer, mesmo que isto signifique pagar um mico monumental. Tipo aquele cunhado malandro, chato, que não trabalha, mas anda todo alinhado e penteadinho, como se fosse o Cristiano Ronaldo, que quando a TV vai entrevistar alguém da família – este sim, famoso e bem sucedido – fica atrás do sujeito entrevistado, fazendo caras e bocas, só para aparecer na TV. Entenderam, né? Cada um que me aparece. Não cansam do ridículo. Não basta a penúria e desespero em que se encontram, ainda arrumam de sofrer de forma terceirizada. Isto que eu chamo de profissionalismo. Especialização em sofrer. Atendimento em domicílio. É muito masoquismo, credo!

Gostei da atuação da Torcida Xavante. Está mostrando maturidade, que está entendendo o momento e a nossa importância na competição. Não basta ser Xavante, tem que torcer, apoiar o time de forma incondicional durante todo o tempo. A palavra é participação. É importante para os atletas, para o clube e até para nós mesmos, Torcedores Xavantes, que estamos tendo nossa atitude mostrada para o mundo inteiro, tornando-nos cada vez mais destacados e admirados como sendo uma resistência ao futebol moderno, onde servem capuccino e assistem aos jogos sentados e batendo palmas.

Ser Xavante não é para qualquer um.

Abs.









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