Desculpe o transtorno, mas eu preciso falar do Xavante

Por Pedro Henrique Costa Krüger

O que eu vou contar não é novidade para a maioria da Xavantada. Quantas vezes enfrentamos no osso do peito os nossos fracassos? Ou ainda quando vestimos a nossa camisa rubro-negra mesmo após uma pesada derrota? Eu, com 10 anos de idade, no pátio do colégio, já desafiava a turma que brincava de arquibancada no sofá de casa. Munido de fé, perseverança e muito amor, acompanhei (sempre, sem cessar!) a história do Grêmio Esportivo Brasil. Essa coragem compartilhada entre nós e por nós nos trouxe até aqui, meus caros: ao G-4 de uma Série B do futebol brasileiro -– e com chances matemáticas e plausíveis de retorno à elite do futebol brasileiro, por que não? O mundo não é dos espertos, é de quem não se esconde.

Dentro de campo, o Xavante não para de pontuar, seja em Pelotas ou em Belém do Pará. Fora dele, garantimos novas competições nacionais, levantamos estádio e fazemos festa – a maior dentre todas. Desculpe o transtorno e a avalanche midiática, meus rivais, mas eu preciso falar do Xavante. Ou melhor, o Brasil necessita reconhecer o Brasil que nunca desistiu. Como disse certa vez o nosso ídolo Claudio Milar, o país precisa conhecer o que é uma torcida.

Ora, uma torcida que não sumiu com o passar dos anos, que nunca “esqueceu” a camisa dentro do guarda-roupas, mesmo nos períodos difíceis, de poucas vitórias e poucos jogos, merece ter o seu reconhecimento, o seu sucesso. A Xavantada, mesmo com a sua fidelidade, precisava de novos e melhores ventos. Desde a chegada de Rogério Zimmermann, que já havia feito história em 2004, caminhamos a largos passos rumo ao infinito, aos nossos sonhos mais distantes, até mesmo aqueles que residem em Tóquio. Agora, mais do que nunca, as distâncias não existem. É possível, ainda, ouvir através dos tambores treme-terra as batidas do coração do estádio Bento Freitas.

Sinceramente, é até difícil imaginar o que o futuro nos reserva. Cotas de TV mais gordas? Novos campeonatos e adversários? Vitórias históricas? (Mais) Cachorros no gramado? Eu não sei. A única certeza que tenho é a de que a torcida que nunca se escondeu, nem “bloqueou” a própria face por medo da derrota, vai fazer ainda mais festa, ainda mais barulho, seja na primeira ou na segunda divisão nacional.

Se eu pudesse voltar no tempo, ao ensino fundamental, pediria desculpas à professora pelo alvoroço que causei ao chegar com a camisa Xavante após mais um fracasso. Porém, estaria novamente com o escudo rubro-negro no lado esquerdo do peito pois nunca tive medo de perder nem de sonhar, tampouco de ser Brasil. O mesmo vale para os leitores do BlogXavante.com, pois ainda estão aqui, ávidos por mais informações do clube que simboliza a raça do interior gaúcho. Se voltasse ao ano de 2002 eu nada diria porque aqueles meus colegas, hoje, também são rubro-negros -– e nunca mais quiseram se esconder.









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