Mesmo quando termina, o futebol é vida | Pedro H. Krüger

É um esporte que transpira paixão, constrói memórias, capaz de entristecer e alegrar, mas sempre produz sentimentos e sensações ligados à existência. O futebol é vida.

Duas traves num gramado. Arquibancadas. Uma bola. Gente por todos os lados. Esperança. O ludopédio é a vida experimentada em bando.

Torcida. Charanga. Antigamente, a cerveja. Na Baixada, a coisa ia mais além: cachaça. Há o grito de gol. O sofrimento. Futebol é coração.

É o coração que bombeia o sangue para transportar oxigênio. É o que nos mantém. No Grêmio Esportivo Brasil, os batimentos cardíacos confundem-se com o som emitido pelos tambores treme terra, e os nossos gritos somam-se aos instrumentos de sopro. No Xavante, eternamente o clube dos Negrinhos da Estação, do Bento Freitas, do canal do Pepino, o coração tem um papel ainda mais forte.

É ele o responsável por manter em movimento o nosso sangue e a nossa raça. O nosso hino, aliás, não existe apenas por existir. É uma canção que representa toda uma gente que vibra e chora, no Bento Freitas ou fora dele, pois o Brasil não joga sozinho.

Não é à toa que o nosso hino menciona o sangue, a raça, o vermelho e o negro, e a torcida do nosso campeão. Afinal, repito, futebol é a vida experimentada em coletivo.

Futebol é vida, cuja ganha tons de paixão com a camisa rubro-negra.

Às vezes, a vida não define local e data para terminar. Ou melhor, não sabemos quando ela vai recomeçar em um novo lugar.

Na noite de domingo, logo após o Brasil reatar os laços com a vitória, a nossa gente viu um dos nossos cair ao chão. Muitos o socorreram, pois torcedor Xavante não torce sozinho. No dia seguinte, 24 horas após completar 25 anos de idade, outro Negrinho da Estação nos deixou.

Não desejo flertar com a morte, mas a existência não cessa aqui.

Antes, porém, um dos nossos deixou um legado, pois relembrou que o futebol não é apenas um jogo. É a vida compartilhada com os seus, retorno a escrever. Por isso, ele nos deixou a seguinte mensagem após a vitória: meu presente de aniversário. Valeu, Xavante!

Valeu, Mauricio Moraes Quevedo.

Valeu, Antônio Alberto Moscarelli.

Vocês são a razão da existência do Grêmio Esportivo Brasil. Vocês são o coração que bombeiam o sangue Xavante e esse retumbar apaixonado não termina nunca mais.

Meus sinceros sentimentos em nome do Blog Xavante às famílias de Mauricio e Antônio.









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