Um jogo de futebol ou um jogo pela vida? | Eduardo Costa

Londrina e Brasil disputaram o segundo tempo mais demorado e tenso da minha vida. Durante 68 minutos, temi pela minha integridade física e dos demais colegas de imprensa de Pelotas.

Terminei o jogo escondido embaixo do balcão para não ser agredido e com dois bancos na porta da cabine para evitar possível invasão dos marginais.

Dentro de campo briga, socos, pontapés. Uma batalha campal. Com direito a agressão covarde ao cinegrafista Jefferson Kickhofel da RBS TV Pelotas. Tudo errado. Resultado do clima hostil criado pelo Londrina durante a semana.

Profissionais de imprensa de Londrina com postura totalmente parcial como se fossem verdadeiros torcedores. Vergonhoso.

Fora das quatro linhas, nas sociais do estádio do café, outro filme de horror.
Após gritar o segundo gol do Brasil marcado por Nena, fomos covardemente ameaçados por alguns torcedores do Londrina.

Até o fim do jogo, a cada lance, a cada gol do Londrina, era uma ameaça e uma tentativa de intimidação.

Foram os minutos mais impotentes da minha vida. Narrei o segundo tempo fazendo algo que não é função do jornalista. Fazendo aquilo que condenei dos colegas de Londrina.

Eu torci e muito. Torci para o Brasil não fazer mais gols, porque se eu gritasse certamente seria agredido. E também para o Londrina não virar a partida, pois aconteceria o mesmo.

Foi a pior jornada esportiva da minha vida. No segundo tempo não pude levar ao ouvinte da Rádio Pelotense e ao torcedor Xavante a emoção certa para aquele momento épico de classificação histórica para a final de um Campeonato Nacional.

A tensão, o medo de ser agredido e todo o clima de hostilidade me tornaram impotente e me sentindo a pior pessoa do mundo. A minha voz embargada e os meus relatos ao microfone da Rádio Pelotense deixaram claro toda a minha tristeza e meu medo naquele momento.

Resta a mim pedir desculpas aos torcedores e ouvintes. Mais uma vez perdemos para a violência. Espero nunca mais ver cenas como as de Londrina. Espero ver cenas de festa como o torcedor Xavante fez durante toda a Série D e também fará na final.

Nunca mais quero presenciar um jogo de futebol em que minha vida e de tantas outras pessoas estejam em jogo. Parabéns Xavantada pela festa e a classificação à final da Série D e obrigado pela compreensão!

Eduardo Costa – Narrador e repórter da Rádio Pelotense









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