Data venia | Ivan Schuster

Saber o que é certo e não o fazer é a pior covardia.” (Confúcio)

Os covardes são os que se encobrem sob as normas. (Jean-Paul Sartre)

 Não sou advogado, mas entendo que não é preciso sê-lo para ter uma clara percepção de justiça. Todos nós entendemos claramente o que é justiça. Podemos não entender das leis e de todos os procedimentos que envolvem um julgamento, mas conseguimos distinguir se a justiça foi ou não feita ao final de um julgamento.

 Sabemos bem que muitas leis existem mais para livrar a cara de quem tem possibilidades de contratar uma banca renomada de bons advogados, do que para garantir que a justiça seja feita. Não é raro assistirmos um figurão deixando de ver o sol nascer quadrado por um simples erro processual. A lei é a mesma, mas a sua interpretação para os da casa grande nem sempre é a mesma para àqueles da senzala. Para muitos, basta ser pobre, preto ou puta para ser culpado.

 Também sabemos que os juízes possuem o poder da decisão, o que não significa que tenham a prerrogativa da razão. Embora muitos juízes relutem em aceitar, a verdade nua e crua é que não são deuses. Comem, cagam e um dia morrerão e apodrecerão como o mais infeliz de nós. Ao fim e ao cabo, seremos todos, os juízes inclusive, comida de vermes. Do pó viemos, ao pó retornaremos.

 O resultado do julgamento pelo qual o GEB passou nesta sexta-feira não causou estranheza. É notório que os magistrados do STJD têm preferência por adotar uma postura de “punição exemplar”. Danem-se os fatos, o que importa mesmo é o rigor, a punição, o exemplo. Isto com os pequenos, claro. Infelizmente, o GEB, um clube popular, que sobrevive graças ao apoio de sua fiel Torcida Xavante, cravado lá no fim do Brasil, não está entre os poderosos. Então, que desça sobre nós o braço forte do poder. A lei e a justiça que se danem.

 Só há uma explicação para as penas aplicadas à comissão técnica e atletas do GEB, a necessidade do “dar o exemplo”, mesmo em detrimento da justiça. Houve confusão? Puna-se a todos. Não interessa se estava agredindo, apartando, defendendo a alguém ou a si próprio. Se estava no meio é culpado e deve ser punido. Algo como prender assaltante e assaltado, caso este último tenha reagido ao assalto e agredido o assaltante.

 Se exemplar foi o que pretenderam ser, vou dizer o que aprendi. Se alguém vier te agredir, ou agredir a alguma pessoa ao teu redor, não reaja. Fuja! Deixe o agredido apanhar até morrer, mesmo que tenhas condição de interferir. Fuja como uma galinha foge de um simples bater de palmas e esconda-te em um lugar bem seguro. Sejamos todos covardes e não nos importemos com os outros.

 As imagens disponibilizadas para todos através de internet são claras. A confusão começou desde cedo com provocações e agressões por parte de integrantes do Londrina, culminando com a tentativa de agressão ao nosso técnico Rogério Zimmermann. O resto foi consequência. A filmagem da agressão do profissional da RBS TV Pelotas não deixa dúvidas sobre o que se passava. E o agressor não foi nem indiciado. Sequer foi citado. Difícil crer em justiça.

 Que houve confusão, empurra-empurra e, até mesmo, agressões por parte de componentes do GEB, é certo. As imagens são claras. Mas os meritíssimos queriam que fizessem o que? Deixassem o Rogério Zimmermann apanhar do segurança e de mais não sei quantos outros? Que virassem as costas para o fato do cinegrafista estar caído e sendo chutado por várias pessoas? Que seguissem jogando como se nada estivesse acontecendo? Que corressem gritando pela mãe?

Há um antigo ditado que diz que “quando um não quer, dois não brigam”. Muito ouvi isto. Mas a vida me ensinou um outro, “quando um está batendo, o outro está apanhando”. E, normalmente, quem está apanhando é o mais fraco ou o que está em menor número. Fica claro nas imagens que o cidadão aquele que foi retirado de ambulância, integrante da comissão técnica do Londrina, minutos antes, quando estava em maioria, incitava a violência e chutava o cinegrafista. Ao meu ver, o pau que tomou foi bem tomado. Bateu, levou. Covarde!

Mas a vida é assim. Para nós nunca foi diferente. Fomos parar na Série D por força deste mesmo tribunal, que nos condenou pela inscrição indevida de um atleta e alguns meses depois inocentou outro clube que respondia por um problema idêntico. Pau que bate em Chico, nem sempre bate em Francisco. Todos somos iguais perante a lei, só que alguns são mais iguais que outros.

À luta porque guerreiros somos!

Abs.

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Faleceu hoje, 15/11/2014, o vice-prefeito de Pedro Osório, Octavio Torres, com quem, na minha infância e juventude, muitas vezes assisti a apresentações do GEB no Bento Mendes de Freitas. Meus mais sinceros sentimentos a todos os familiares e amigos.


Ivan Schuster
Onda Xavante









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