Fim da ressaca | Ivan Schuster

Esta última semana foi de ressaca. Aquela sensação de “Que noite!”. Corpo dolorido, cabeça pesada, mas alma leve. Foi bom. Foi muito bom. As memórias dos bons momentos são inúmeras. A lembrança das sensações serão eternas. Não tem como esquecer o que vivemos e sentimos. Os nossos últimos dois anos foram de muita intensidade, apreensão e alegria. Depois de um período duro, cheio de tristeza e decepções, renascemos. Tamo grandão. É nóis!

Vi e ouvi muitas entrevistas dos nossos guerreiros, diretores e equipe técnica. A clareza e a coerência de raciocínio do Rogério Zimmermann explicam, em muito, o nosso sucesso obtido. As entrevistas com ele só não são melhores e mais proveitosas porque os entrevistadores insistem em não sair do trivial. São sempre as mesmas perguntas, aquele eterno blá-blá-blá do 4-3-3, 4-4-2, …, que leva a lugar algum. Criatividade zero, com profundidade de um pingo d’água. Não discute-se problemas e soluções, mas procura-se intrigas e manchetes. Só “arrodeiam”. Já é hora de repensarem e modernizarem a imprensa esportiva pelotense. Falam da falta de profissionalismo nos nossos clubes, mas a qualidade dos programas esportivos é de doer. Modernizar é preciso.

Em quase todas as entrevistas que concedeu, o Rogério deixou claro que muito foi feito e muito foi alcançado. Tudo fruto de muito trabalho, planejamento e apoio imprescindível da diretoria, principalmente do presidente Ricardo Fonseca.

Saímos do lodo fecal, onde chafurdávamos agonizantemente, e conseguimos o nosso lugar ao sol, em ambiente limpo, seco e arejado. Entretanto, os nossos problemas não terminaram, apenas mudaram de intensidade e dimensão. Para continuarmos o nosso caminho de crescimento, precisamos fazer muito mais. E este fazer significa capacidade de investimento. Muito investimento. Principalmente investimento em estrutura. Fazer futebol não é apenas contratar bons jogadores. Precisamos urgentemente quitar os nossos compromissos financeiros, concluir o CT e o campo suplementar, reforçar/refazer a iluminação e construir uma nova arquibancada na lateral do campo. Não é pouca coisa, apesar de ser apenas o emergencial. E nem falei do time para 2015.

Eu imagino a angústia sofrida em toda a temporada pela diretoria e comissão técnica. A vontade e necessidade de fazer, mas não ter condições. O time correndo em campo e o caixa vazio. Se não bastasse isto tudo, ainda tem a corneta comendo solta. Acreditem, mesmo com a nossa campanha vitoriosa, teve corneta sim. E muita. Um clube é um ambiente político e, como tal, a oposição, seja qual for, sempre fala em um tom de sabedoria professoral. É mais fácil ser crítico do que executor.

Mesmo entendendo estas questões, achei inadequada e inoportuna as declarações do nosso presidente Ricardo Fonseca após o término da final em Muriaé. Foram palavras muito fortes, com muita amplitude e sem nenhuma consequência benéfica para ele, Ricardo Fonseca, e muito menos para o clube. O momento deveria ser de sinalizar a necessidade de união e não de revanchismo e auto-consagração.

Não sei como faremos para superar os nossos desafios e adversidades. O que sei é que precisaremos de união, muita união. O apoio da Torcida Xavante este ano foi imenso. Nunca tivemos tantos sócios. Mesmo assim não foi possível cumprir com os nossos compromissos. Chegamos ao final da temporada ainda devendo salários. Como continuaremos a crescer, sendo que a partir de agora as necessidades serão maiores?

Disse o Mauro Cézar Pereira(ESPN) que o GEB é uma resistência ao futebol moderno, em referência a ainda não termos nos entregue aos especuladores, aproveitadores e sangue-sugas, que se apresentam com empresários e investidores. Ainda somos um clube feito por e para os torcedores. Inclusive, salientou que a nossa derrota na final foi uma derrota do futebol para o capital. Faço minhas as palavras dele e torço desesperadamente para que consigamos nos manter assim, independentes e apaixonante.

Abs.


Ivan Schuster
Onda Xavante









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